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"É uma Alegria Estar Escondida, Mas um Desastre Não Ser Encontrada"

21/03/2025

Imagine uma criança brincando de esconde-esconde.
Ela se esconde atrás da cortina, mas… quer ser encontrada.
O coração acelera. A respiração trava.
E se ninguém vier?
Essa frase de Winnicott, pediatra e psicanalista, resume um dilema humano: queremos ser vistos, mas temos medo de sermos descobertos.


O Jogo do Esconde-Esconde: Uma Metáfora da Alma

Para Winnicott, o esconde-esconde não é só brincadeira. É ensaio para a vida.

  • Esconder-se é criar um espaço íntimo, onde você pode ser você mesmo.
  • Ser encontrado é receber a confirmação: "Alguém se importa comigo."

O problema? Quando o jogo vira pesadelo.

  • Não se esconder é viver sem privacidade.
  • Não ser encontrado é sentir-se invisível.

A Alegria de Estar Escondida

Esconder-se é proteger o núcleo frágil do ser.

  • É onde você sonha, cria, imagina.
  • É onde ninguém pode julgar ou invadir.

Freud diria: é o inconsciente brincando.
Lacan completaria: é o real que não pode ser totalmente simbolizado.

Exemplo: Maria, escritora, adorava ficar sozinha em seu quarto, escrevendo. "Ali, eu era livre. Ninguém me via." Mas, ao publicar seu livro, sentiu medo: "E se não gostarem de mim?"

O Desastre de Não Ser Encontrada

Aqui está o paradoxo:

  • Esconder-se é vital, mas só faz sentido se alguém procurar.
  • Não ser encontrado é como gritar em um vácuo: "Eu existo!"

Na psicanálise, isso tem nome: angústia de abandono.

  • É a criança que chora, mas ninguém vem.
  • É o adulto que se isola, mas sente falta de um abraço.

Caso clínico: João, 35 anos, vivia trancado em seu apartamento. "Ninguém me entende", dizia. Na análise, descobriu: "Eu me escondo tanto que nem eu me encontro mais."

A Sociedade do "Mostre Tudo"

Vivemos em uma era que glorifica a exposição.

  • Redes sociais exigem: "Seja visto!"
  • Relações superficiais pedem: "Seja transparente!"

Resultado? Perdemos a alegria de estar escondidos – e o desastre de não ser encontrados se amplifica.

Como Equilibrar o Jogo?

  1. Crie seu esconderijo: Um espaço (físico ou mental) onde você pode ser você.
  2. Deixe pistas: Mostre um pouco de si, mas não tudo.
  3. Escolha bem quem procura: Nem todo mundo merece encontrar o seu eu escondido.

Exemplo: Ana, artista, só mostrava suas pinturas íntimas para amigos próximos. "Não quero que meu trabalho vire commodity. Quero que seja encontrado por quem realmente importa."

Winnicott e o "Verdadeiro Eu"

Winnicott falava do verdadeiro eu e do falso eu.

  • O verdadeiro eu é a criança que brinca escondida.
  • O falso eu é a máscara que usamos para ser aceitos.

A meta? Encontrar um equilíbrio: esconder-se o suficiente para ser autêntico, mas não tanto para se perder.

Freud e o Medo de Ser Visto

Freud diria: o medo de ser encontrado é medo do julgamento.

  • "E se não gostarem do que veem?"
  • "E se eu for rejeitado?"

A cura? Entender que ser encontrado não é sobre perfeição. É sobre conexão.

No fim, o jogo do esconde-esconde é metáfora da vida.

  • Esconder-se é proteger sua essência.
  • Ser encontrado é compartilhar sua humanidade.

E você? Onde está se escondendo… e quem merece te encontrar?

Caio Targino...